terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Aconselhamentos do dia


Novamente é dia de refletir o que se passa na sua vida.


Com coragem e sem emoções.


Quanto mais você for objetiva, mais saudável conseguira ser.


Pois quem tem metas e objetivos e sabe equilibrar as emoções, não fica doente facilmente. Não se coloca como vítima, chamando a atenção desvairadamente.


Uma única atenção de sua parte é abrir as suas gavetas.


Exatamente aquela que você não quer abrir porque ali estão todos os seus segredos.


Segredos guardam com sete chaves no seu coração.


Isto é, na mente. Portanto abra suas gavetas e naquela que você guarda os bilhetinhos do primeiro namorado, as florzinhas dos seus paqueras, as lembranças do primeiro beijo, as alianças de um relacionamento que não deu certo. O enxoval que foi desfeito, a camisola do primeiro momento eternizado de amor, o papelzinho que estava escrito o seu pesar, santinhos de mortes de tataravôs, jornais velhos, fotografias que hoje não lhe interessam mais. Jogue fora. Queime. Não jogue no lixo. Coloque fogo em tudo. Queime estas recordações. Queime essas energias que sangram o seu corpo. Limpe as suas gavetas e recomece a viver. A depressão irá embora. As dores reumáticas serão amenizadas. As lembranças serão menores e os sonhos virão com maior nitidez.


Você vai entender que para viver a vida é preciso limpar mágoas, rancores, tudo seja queimado. Come a limpar suas gavetas e vibrar positivamente para um ano que deverá ter mais brilho.
Viva. Apenas viva e sorria. Males irão embora.
Na gaveta vazia coloque perfumes, essências, roupas novas, sabonetes, água de cheiro e vá longe demais com você mesmo, sabendo que o cheiro da vida está na limpeza que se faz.
Lembranças são como água podre. Ficam, dão azedume, engorda e maltrapilha o corpo.


O veneno consome quem não sabe retirar o que é velho.

Celeste


27 dez.2011

Uma História de Amor !



Hoje eu quero lhe dizer que vou contar uma história. Uma verdadeira história de amor que aconteceu entre dois personagens viventes no Plano Etéreo.


Magda era filha única. Seus pais tinham uma situação mediana financeiramente. Era uma jovem muito cortejada, admirada por todos. Uma grande pianista. Ergueu-se quase do nada, pois sempre foi muito contraditória. Aos seis anos de idade foi levada à Paris, a terra de sonhos de todos os artistas daquela época.


Era o ano de 1943 quando tudo implodiu em sua vida. O Pai desencarnou e a mãe ansiosa para que a filha desse certo em sua profissão, escola caríssima onde estudava música.


As noites eram violadas em seus segredos. Enquanto normalmente as pessoas dormiam mãe e filhas se ocupavam em estudar. A filha estudava ao piano suas partituras do conservatório musical e sua mãe lia e estudava vocabulário da sua nova língua.


Magda foi crescendo num lugar seguro. Invejada por mulheres de classe alta, odiada por outras mais velhas. Com situação financeira irregular a jovem ganhava espaço na mídia onde seu nome aparecia em todos os cartazes, teatros como solista de orquestra. Era realmente um talento.


No segundo semestre do ano de 1953 ela ganhava notoriedade internacional. Viajava sozinha pelo mundo. Tinha na época mais de 30 anos. Jovens talentosos suspiravam por ela. Homens a desejavam e ela só tinha olhos para um senhor de uma origem mais simples do que ela financeiramente. Era o sonho de toda mulher casar-se com aquele artista que como ela fazia-se presente em todos os ministérios. Escolas de música o chamavam, universidades, teatros, todos o queriam por perto. Ele se orgulhava em ser o artista mais cobiçado naquela época, razão que sua esposa o enchia de perguntas, conflitos diários em que ele sempre se perdia em suas emoções, pois trocava de mulher a cada passo que dava soturnamente. Homem casado naquela época tinha que ter respeito por sua família. A mulher que se dava a um homem casado carregava um nome muito feio. Excluída da nova sociedade. Sim. Era chamada nova sociedade porque os emergentes cresciam e a sociedade mais clássica tinha dificuldade em aceitar os novos ricos. As fazendas de café no Brasil cresciam e muitos se enriqueciam de homens simples do campo passavam ser grandes fazendeiros. Eles ganhavam fortunas e como tal corriam para a Europa esbanjar rios de dinheiro, fazer parte de uma sociedade exclusiva, que se uniam nos cassinos clandestinos, cabarés, etc.


Com todo o pudor e discrição absoluta homens se protegiam para que suas mulheres não soubessem os trocadilhos de seus nomes. Comumente estes faziam visitas aos cabarés e davam nomes falsos as prostitutas. Riam muito entre eles e todos negavam qualquer participação de uma saída ou outra com outras mulheres traindo sua família. Por outro lado as suas mulheres também faziam de conta e se escondiam para não serem apontadas como mulheres traídas.


Cada sociedade fazia um papel bem cínico, formal. Com o dinheiro à vista, carruagens, carros já muito caros nas ruas, mulheres iniciavam com classe e muita elegância a dirigir. Acompanhadas de perto por seus progenitores, ou outros eram tratadas com maestria, pois se apresentavam frágeis, mas duramente severas com quem as maltratassem. Elas faziam um papel de mulher feminina, aparentemente, mas muito egoístas e discretas aparentemente. Sempre dando um jeitinho de mostrar as pontas dos seus sapatos, soltar um sorriso zombeteiro, piscadinha discreta para não ser levada como mulher volúvel.


Enfim, tempos modernos numa classe social onde merecedoramente eram reverenciadas por seus perfumes, vestidos, cortes de cabelos a chanel.


Rolos de filmes eram soltos e elas se deixavam fotografar com poses cortes. Apaixonada pela vida, Magda também muito sensual e dona de beleza invejável buscava inspiração na pintura, arte que estava em voga. Pianista de mãos valiosas executava peças para deixar todos muito apaixonados pela música clássica. Uma beldade. Em silencio curtia a vida passeando em iates que com sua projeção atraia os mais ricos industriais, moçoilas querendo um cantinho para ser fotografada com ela para ser no outro dia manchete de algum tablóide. Tudo era oportunidade.


A artista não se deixava envolver-se. Primeiramente o trabalho. Sua disciplina era invejável. Mãos e dedos alargados com postura de uma grande artista davam movimentos as mais lindas partituras musicais tocadas com efeito melódico dos mais invejáveis. Seus concertos ficavam todos lotados e ela com uma candura e altiva ao mesmo tempo, se impunha com sua graça, temperamento forte, rica em suas vestes e penteados, chanel seu perfume preferido, alinhada como diziam em tudo e com todos. Escrevia notas musicais com canetas coloridas chamando a atenção em seus grifos.


Apaixonou-se por um artista que na época era casado, mantinham encontros às escondidas nos bosques de Viena. É para lá que fugiam a fim de passar alguma temporada. Ao mesmo tempo em que se curtiam e ninguém ficava sabendo, estudavam e tocavam as mais belas composições clássicas onde muitas vezes entrava um pouco de Verdi.


Straus era com certeza o ponto estratégico de suas formas amorosas porque dançar valsas naquela época era estar muito perto corpo a corpo. Histórias foram sempre contadas, mas a verdade nunca foi revelada.




Passado muito tempo neste chove e não molha o casal vivia eternamente feliz em seus encontros furtivos. Mas bem sabe que as línguas ferinas acabam sempre rompendo algum silencio, e a criadagem não se contentava em ficar em silencio.


Boatos eram espalhados e eles nunca foram de vias aos fatos verbalizando qualquer relacionamento. Ela buscava outros encontros para descartar a sua imagem de um compromisso amoroso com o artista casado. Cada vez que se encontrava com amigos e se deixava fotografar insinuando qualquer namorico, logo era ponto de explosão para o casal que às escondidas se beijavam, amavam e brigavam.


O relacionamento deu certo na obscuridade por muitos anos. Foi numa tarde de outono que o artista desencarnou. Foi-se com música, anjos, querubins para o Plano Etéreo.


Cansado com a vida que ele levava na Terra, não poderia ser diferente. Um fulminante ataque cardíaco o levou. Próxima a estação de trem onde Magda se encontrava ela também se submeteu a uma dor no coração, como se alguém arrancasse da sua alma um pedaço de si. Logo recebeu a notícia que seu amado tinha desencarnado.


Cheia de dor ela emplacou. Com muita cortesia e figura fria naquele momento para não dar margens a comentários, teve uma discrição ímpar.


Seu luto durou por muito tempo. Foi então que começou a surgir boatos a seu respeito de grandes romances. A imprensa não afirmava nada, mas deixava sempre o ponto de curiosidade no ar como fazem até hoje com as autoridades ou artistas de grande projeção.


A guerra estava no ar. Paris estava desgastada em seus encantos aos olhos da artista. Volta ao Brasil e fixa residência em lugares muito parecidos com a Suíça, Europa. Ausentou-se muito tempo e sem aparecer na mídia pode ficar por um tempo em silencio resultando-se no seu luto, podendo chorar a vontade.


Casou-se mais de uma vez, e nunca ficou satisfeita com os seus casamentos de verdade. Ela não sabia mentir. Amava quem tinha partido e sua dor estava em cada interpretação musical.


Cada dia a artista ficava mais próxima a Deus. Queria muito voltar ao Plano Etéreo para estar com seu bem amado. A Terra estava ficando muito sem graça e cheia de vícios agora, porque já se encontrava com um pouco de depressão. Surtava a cada dez minutos com aqueles que não a atendesse em seus objetivos. Rápida, objetiva e sensual. Um misto de ternura com imposições. Uma alma cheia de segredos. Uma mulher que sabia subir em seus saltos altos e olhar de cima para quem quisesse alterar qualquer menção que não fosse o que ela pudesse imperar.


Separada, viúva, seja lá o que foi. Raivosa agora com situações indesejadas deixadas até mesmo pelos seus ex-companheiros, a sua magoa crescia. Sua voz se levantou e com dor gritava a sua própria musica.


Foi-se. Partiu. Levou da Terra sua estrela. Não quis deixar nada aqui escrito. Nenhuma confidencia. Apenas alguns rabiscos literários para não se esquecerem de seu nome. A paixão ela levou, a execução de sua música a acompanhou, e ela disse que voltaria e voltou.


Voltou como um raio. Deixou no passado a dor. Chegou com sua beleza. Imposição, personalidade. Emprestando um corpo para poder falar. E na sua delicadeza em francês, alemão, inglês, português, pode se rebelar e se revelar.


Uma música não se faz sozinha. A música é feita com uma nota musical que vai formando sons, cadencias, até se avolumar e se encher de som. A música que vem da alma é pura. Reverberando em cada canto do corpo como uma cantata. Nenhum abismo se abre se não existir um som. Não se fecha nada se não existir o silencio.


Por isso a música da Magda, a jovem e depois a senhorinha, que bravamente lutou pela música deixou nos rastros das estrelas o amor escrito nas alturas.


Quando a pianista chegou ao Plano Etéreo, foi correndo para a Casa Nosso Lar.


Encontrou seu amado. Amantes na vida, amantes na morte, juntos escorregavam os sentimentos num único teclado. Os sons da vida além túmulo.


Foram vivendo juntos no Etéreo por mais de 17 anos. Vestiam-se de gala para assistirem concertos no astral e quando podiam, vinham juntos na Terra em concertos por todo o mundo, reverenciando os novos artistas.


Chegou um dia que precisavam também se despedir. Novamente a separação. Agora de livre acordo. Ele viria para a Terra como criança pequena num corpo de mulher.


Voltaria a estudar música e a cantar. Ela depois de 16 anos voltaria também para reencontrar-se com esta criança. Formariam novamente um páreo. No presente, passado e futuro a idade não tem valor. A sinfonia da alma é que toca os acordes do coração.


Por tudo o que está escrito nos rastros das estrelas dentro de cinco anos ela volta para o reencontro e enquanto isso, essa criança já a espera. O amor não tem limites e nem idade. Segurança ou medo. Vacilações devem ser ajustadas com os sincronismos das emoções, permeando o vazio, que cada um acaba se perdendo e procurando em algum lugar, um apego para o sentir, vibrar, que a vida vale a pena enquanto o sonho não acabar.


A reencarnação existe em cada um. Nada mais. Uma história de amor escrito na Terra e nos céus.






Feliz Ano Novo para os enamorados.


Celeste.


- dezembro 2011


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